terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Eu senti falta. Do ônibus, das conversas idiotas, do cheiro de gente velha, da solidão, do chá de frutas vermelhas. Senti falta de trabalhar.
Eu olhava no espelho e entendia que estava faltando alguma coisa, que algo estava errado. Que aquela que me olhava do espelho não podia ser eu.
Mas era.
Não que não tenha gostado de ficar em casa, de dormir até mais tarde, de escrever sem me preocupar em fechar as janelas quando o chefe chega. Eu gostei sim. Mas isso não quer dizer que não senti falta daquela Samanta que acordava cedo, que pegava o ônibus, que precisava ter sempre um sorriso no rosto, que atendia o telefone com entusiasmo.
E o que é mais engraçado: eu sabia que tinha outra pessoa no meu lugar, que tinha alguém fazendo o que eu fazia. Não era bem assim, claro.
Ela estava no meu lugar mas não era eu. Assim como a garota do espelho.
Acho que às vezes é bom que tudo volte ao normal.

Um comentário:

laís D'Andréa disse...

Samanta! Sabe de uma coisa? A gente reclama tanto da rotina às vezes, mas, quando ela dá uma trégua, a gente sente falta da segurança que ela nos dá. Porque rotina é uma daquelas coisas que são ruins, mas são boas, sabe?
Um beijão!