segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Setembro

22

O ato que precede toda a fantasia, o mostrar calmo e esporádico de meses de trabalho.
As imagens, as palavras, a correria; o Tempo passando lentamente, escorregando pelos dedos e gotejando como a chuva que caía.
A noite banhada de encontros e desencontros. Um só pensar.

23

Eram os olhos de Vênus que brilhavam no horizonte. Ela e Dionísio planejaram isso desde a primeira troca de olhares, as primeiras palavras ditas, os primeiros sorrisos lançados.
Façamos os deuses felizes, então.

24

Desaniversário banhado de primavera.
Palavras trocadas, risadas sobre coisas estranhas. O frio passou lento pela pele clara, arrepiando cada pêlo e estimulando cada poro.
Era o frio que mantinha viva a mente.

25

Não era faz-de-conta, e o engano foi banal. Sempre pensei que era Outubro teu mês preferido... Ainda bem que errei.
O abraço dado foi apenas em pensamento; infelizmente estas coisas fazem parte da distância.

26

As palavras foram verdadeiras profecias - exatamente o que tinha dito aconteceu.
Falsamente, tenho tudo sob controle.

27

Ah, sim... O número é nove. Estranhas projeções de uma data mais estranha ainda.
A última vez que por lá estive também foi acompanhada. Não da mesma forma, não com o mesmo teor onírico.
Um início estranho para uma coisa que já tinha começado muito antes. Categórico.

28

O sono. O fechar lento dos olhos. E nada mais.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Aspas

Nós não temos nada em comum. A não ser as vontades estranhas de coisas estranhas.

Quando te disse que era loucura, você riu. Sempre ria. Acho que é o teu jeito de demonstrar o quanto está inseguro. Uma sorte a tua eu gostar da tua risada.

Acho que tua cara nunca me enganou. Nem teu jeito que todos diziam ser complexo. Você sempre foi um fraco, apenas um garotinho. Peixe pequeno esperando ser abocanhado. Mas o que eu ganharia estando ao teu lado?

Nada.

A não ser aqueles sorrisos enviesados.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008