Antes o tempo era apenas uma constatação, ultimamente ele tem sido uma preocupação.

Sempre achei o frio bonito. Depois deste mês, ele passou a ser uma realidade dolorosa.

São as coisas repetidas que mais me abalam; aquelas verdades que aparecem diversas vezes em minha vida e que bordam ao meu redor um padrão nada concreto e muito desconcertante.
Tragam-me verdades diferentes, desta vez.

Eu aprendi a perdoar os fracassos dos outros depois de perceber que os meus são insuportavelmente mais difíceis de serem perdoados.

Esses dias eu me perguntei quem choraria no meu enterro
[não um futuro, mas num
agora hipotético.]
Descobri que não quero pagar pra ver isso.

Ontem a noite eu me peguei olhando meu céu particular. Fiquei absorta por breves segundos numa esfera totalmente minha e de mais ninguém.
Acho que não conseguiria, jamais, perder estes momentos comigo mesma.

Eu sei lá o que eu tinha imaginado à respeito daquelas figuras pálidas que não passavam de nomes em minhas lembranças.
Mas com certeza não foram sorrisos tão familiares num domingo pré-apocalipse.

Eu sinto falta das pessoas bem mais do que deveria ou do que estas pessoas mereceriam. Mas não quero reencontra-las; não quero voltar a vê-las.
Melhor guarda-las na minha lembrança do que perceber que elas já não existem mais.